Acabei de notar algo interessante sobre como Peter Thiel tem reorganizado as suas posições no hedge fund. O cofundador da Palantir tem feito movimentos bastante deliberados na sua carteira, e a convicção por trás deles é difícil de ignorar.



Thiel gere a Thiel Macro, que administra cerca de $74 milhões, e no último trimestre fez algumas operações reveladoras. Saiu completamente da Nvidia e reduziu a Tesla, mas apostou fortemente noutro setor. Apple e Microsoft agora representam 61% dos ativos do fundo — estamos a falar de 27% em Apple e 34% em Microsoft. Uma concentração séria para alguém com um património líquido de $26 bilhões, o que diz muito sobre onde ele vê oportunidades.

Vamos analisar primeiro a posição na Apple. A empresa teve um trimestre de dezembro excelente — as receitas subiram 16% para $143,7 mil milhões, e o lucro por ação aumentou 18% para $2,84. O que chamou a atenção foi a recuperação na China, com vendas lá a subir 38% após dificuldades anteriores. O hardware está sólido, mas aqui é que fica interessante para os investidores em IA: a Apple abandonou a ideia de desenvolver os seus próprios modelos de linguagem de grande escala e, em vez disso, fez uma parceria com a Alphabet para integrar o Gemini no Siri. É basicamente admitir onde tem limites, mas abre uma verdadeira via de monetização através de serviços. Estão a planear uma camada de IA premium, que poderá impulsionar um crescimento significativo nesse segmento.

A aposta na Microsoft é, talvez, ainda mais convincente. A empresa está a dominar completamente o setor de IA empresarial. Os assentos no Copilot aumentaram 160% no último trimestre, e os utilizadores ativos diários multiplicaram por dez. Além disso, o Azure está a tornar-se na infraestrutura para IA — consolidaram tudo numa plataforma chamada Foundry, e os clientes que gastam mais de $1 milhões por trimestre aumentaram 80%. Ah, e a Microsoft detém 27% da OpenAI com direitos exclusivos sobre os modelos mais avançados, pelo que os desenvolvedores praticamente têm de usar o Azure se quiserem construir com essas ferramentas.

Agora, há um problema com ambas as posições. A Apple está a negociar a 33 vezes lucros para uma empresa que se espera crescer 10% ao ano — um valor elevado. A Microsoft sofreu uma queda de 10% após números decepcionantes de capex em infraestrutura de IA e um crescimento do Azure mais lento do que o esperado, mas os lucros ajustados ainda subiram 24%, o que torna o múltiplo de 27x razoável se tiveres paciência.

O que os investimentos de Peter Thiel revelam é uma aposta clara na monetização da IA empresarial nos próximos anos. Se concordas ou não com as avaliações, é outra questão, mas o posicionamento em si mostra onde um investidor tecnológico inteligente vê a verdadeira oportunidade.
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