A maior parte das pessoas conhece Laszlo Hanyecz por uma coisa — aqueles infames 10.000 Bitcoin que gastou em duas pizzas Papa John's em 2010. O número é constantemente repetido, e sim, a preços de hoje isso dá mais de um bilião de dólares. Mas o que realmente me deixa de boca aberta é isto: a compra da pizza poderá ter sido a coisa menos significativa que Laszlo Hanyecz alguma vez fez pelo Bitcoin.



Recentemente, aprofundei-me na história real aqui, e é selvagem ver quanto este homem moldou a infraestrutura inicial do Bitcoin, enquanto praticamente ninguém se lembra. Tipo, Hanyecz não gastou apenas 10.000 BTC em pizza — gastou quase 100.000 BTC no total em 2010. Mas antes disso, ele já estava a fazer algo muito mais importante.

Logo a seguir a ter-se juntado ao Bitcointalk em abril de 2010, Laszlo Hanyecz construiu o primeiro cliente MacOS para o Bitcoin Core. Pense nisto por um segundo. O Satoshi originalmente codificou tudo para Windows e Linux, mas o trabalho do Hanyecz abriu as portas aos utilizadores de Mac para poderem, de facto, executar nós do Bitcoin. Todas as carteiras de Bitcoin no Mac desde então remontam ao que ele construiu.

Mas a verdadeira mudança de jogo? O Hanyecz percebeu que era possível minerar Bitcoin usando uma GPU em vez de apenas a potência da CPU. Isto não foi uma optimização pequena — as GPUs são várias ordens de grandeza mais rápidas nisto. Quando ele publicou sobre o assunto em maio de 2010, dizendo “Isto é realmente eficaz se tiveres uma boa GPU como a NVIDIA 8800”, ele praticamente desencadeou a primeira corrida armamentista da mineração de Bitcoin. A taxa de hash explodiu 130.000% até ao fim do ano. De repente, as pessoas começaram a montar equipamento de mineração em caves e garagens — que é, literalmente, o protótipo das operações de mineração industrial de hoje.

O Satoshi Nakamoto chegou mesmo a contactar o Laszlo Hanyecz sobre isto, e dá para sentir a preocupação na mensagem. O Satoshi temia que a mineração com GPU concentrasse as moedas demasiado depressa, e que isso minasse a visão de que “qualquer pessoa com um computador pode minerar”. Esta troca parece ter incomodado o Hanyecz — bastante.

Depois vem maio de 2010, e Laszlo Hanyecz faz a sua famosa oferta de pizza. Ao olhar para os posts do Bitcointalk dessa altura, não era apenas uma transação também. Ele continuou a fazer isso. Em novembro de 2010, já tinha gasto mais de 81.000 BTC do seu endereço principal. Hoje isso vale mais do que $8 billion. Ele mencionou em entrevistas que, basicamente, gastou tudo o que minerou, fez repetidamente a oferta de pizza e até ofereceu Bitcoin a novos membros da comunidade.

Há, porém, um detalhe — quando lês a entrevista de 2019 na Bitcoin Magazine com o Hanyecz, apanhas um tom diferente. Ele não estava amargurado com a transação da pizza. Falou de como sentiu que tinha “derrotado a internet”, transformando a sua eletricidade e o poder de computação da GPU em comida grátis. Ele, genuinamente, não achava que o Bitcoin se ia tornar no que é hoje. Para ele, na altura era uma troca justa — ambos os lados receberam o que queriam.

Mas existe também uma nuance subjacente. O Laszlo Hanyecz disse ao entrevistador que deixou de promover a mineração com GPU depois da mensagem do Satoshi porque sentiu que tinha “estragado o projeto”. Preocupava-o que pessoas sem hardware topo de gama ficassem desencorajadas. Talvez seja por isso que ele gastou tanto Bitcoin depois — não só porque conseguia minerar facilmente, mas porque sentia alguma responsabilidade por acelerar algo que o Satoshi ainda não queria que fosse acelerado.

Portanto, sim, toda a gente se fixa na pizza. Mas o verdadeiro legado do Laszlo Hanyecz é ter democratizado o acesso ao Bitcoin em diferentes sistemas operativos, ter inventado a mineração com GPU e, provavelmente, ter ficado suficientemente dividido com as suas próprias inovações para, em última análise, dar grande parte do que ganhou. A pizza é apenas a história que as pessoas se lembram.
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