As notícias do Endgame: Quando o Bitcoin se torna o elo mais fraco nos ativos de risco

O Bitcoin está entrando na sua fase final? Essa é a questão inquietante que reverbera nos mercados de criptomoedas, enquanto os metais preciosos protagonizam uma recuperação histórica que deixa a maior criptomoeda do mundo para trás. Enquanto ouro, prata e platina atingem recordes, a fraqueza do Bitcoin torna-se impossível de ignorar — e está forçando uma reflexão crítica sobre o que acontece quando ativos especulativos não conseguem acompanhar os refúgios tradicionais.

A mudança é impressionante. O ouro acabou de ultrapassar os 4.400 dólares por onça no final de 2025, marcando novas máximas históricas à medida que os investidores priorizam a preservação de capital. A prata disparou 140% ao longo de 2025, enquanto o ouro subiu quase 68% no mesmo período. Mesmo a platina — muitas vezes negligenciada — teve uma forte valorização, aproximando-se do seu pico histórico. Enquanto isso, o Bitcoin arrastou-se na lateral, caindo quase 5% no ano e atualmente negociado em torno de 68.000 dólares, uma queda de 46% em relação ao seu recorde anterior de 126.000 dólares.

Metais preciosos prolongam recuperação recorde

O impulso do ouro, prata e platina conta uma história que o mercado financeiro tradicional não via há anos. Os contratos futuros de ouro ultrapassaram 4.415 dólares por onça durante o pregão asiático, com o preço à vista mantendo-se firmemente acima de 4.400 dólares. A recuperação não se limitou a um único metal — espalhou-se por todo o complexo de metais preciosos.

A explosão da prata foi particularmente brutal para os defensores das criptomoedas. A alta de 140% anual marcou meses consecutivos de ganhos que romperam níveis de resistência técnica. “As análises técnicas não importam mais”, observaram analistas, apontando para oito meses consecutivos de velas verdes.

A platina entrou na festa, rompendo acima de 2.040 dólares por onça, sinalizando que o capital estava sendo realocado para commodities subvalorizadas em geral. Analistas interpretaram essa mudança como uma possível “rotação para os metais” — um sinal claro de que investidores avessos ao risco estavam recuando taticamente de posições especulativas.

Desempenho histórico do Bitcoin gera preocupações sobre o fim do ciclo

Enquanto isso, a fraqueza do Bitcoin transformou-se numa espécie de acusação geral do mercado. A criptomoeda tem tido um desempenho inferior não só aos metais preciosos, mas também às ações tradicionais. Desde o lançamento do primeiro ETF de Bitcoin em janeiro de 2024, o ouro superou o Bitcoin em aproximadamente 19% acumulados. Para contextualizar, o S&P 500 ganhou 16,4% até 2025, o Nasdaq subiu 20,8% e até o Russell 2000 avançou 13,4% — todos superando o BTC.

Não se trata apenas de retornos atrasados. A incapacidade do Bitcoin de subir junto com as ações e metais ao mesmo tempo quebra um padrão histórico. Quando ações e metais preciosos se fortalecem, geralmente isso indica um otimismo cauteloso nos mercados. O Bitcoin, teoricamente, deveria se beneficiar desse ambiente. Em vez disso, permanece de lado enquanto tudo o mais dispara.

O impacto psicológico sobre os investidores de longo prazo tem sido brutal. Os lucros continuam a evaporar, e a narrativa está mudando de “Bitcoin é ouro digital” para “Bitcoin é uma aposta especulativa morta”.

A relação Bitcoin-ouro: o verdadeiro indicador do fim do ciclo

Segundo Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence, o desempenho fraco do Bitcoin carrega uma mensagem alarmante escondida na relação Bitcoin-ouro — uma métrica que não tem recebido a atenção que merece.

A relação Bitcoin-ouro (quantas onças de ouro equivalem a um Bitcoin) está agora em torno de 20x, aproximando-se de um nível de suporte técnico crítico. Isso pode parecer alto, mas aqui está o alerta do fim do ciclo: historicamente, essa relação tende a se aproximar de 5x durante períodos deflacionários. O nível atual sugere que o Bitcoin ainda pode cair mais em relação ao ouro, ou que o ouro continuará subindo em relação ao Bitcoin.

A tese central de McGlone é perturbadora. Se o S&P 500 registrar seu terceiro ano de queda desde 2008 em 2026, a relação Bitcoin-ouro pode se consolidar como um indicador líder de problemas mais amplos no mercado. “O que impede a relação de se aproximar de seu modo em torno de 5x?” — questionou McGlone, sugerindo uma mudança fundamental na preferência dos investidores por ativos tangíveis em detrimento dos digitais especulativos.

Sua análise vai mais fundo: “O fato de Bitcoin/ouro não ter mudado desde 2020 e ter caído apesar de um mercado de ações resiliente pode estar sinalizando o fim de ativos de risco elevados.” McGlone sugere que o mercado de criptomoedas está antecipando temores de deflação, colocando uma enorme pressão estrutural sobre as ações para continuarem em alta — uma carga que pode se mostrar insustentável a longo prazo.

É realmente o fim do ciclo, ou apenas capitulação?

Nem todos concordam com a narrativa do apocalipse. Alguns analistas argumentam que o ouro está excessivamente estendido e que o Bitcoin está subvalorizado nas atuais relações, configurando um cenário de reversão. Apontam para o RSI semanal do Bitcoin versus ouro, que está perto de 29,5 — próximo dos mínimos de três anos que, historicamente, antecedem grandes recuperações.

“BTC/XAU caiu para cerca de 20 onças de ouro, seu menor desde início de 2024”, contra-argumentam os otimistas. “O RSI semanal está perto de mínimas históricas, o que pode sinalizar uma divergência de alta e uma potencial recuperação de curto prazo.”

A discussão gira em torno de uma questão simples: o ouro está realmente superando por ser fundamentalmente superior, ou apenas refletindo um pessimismo terminal em relação aos ativos de risco — incluindo o própria Bitcoin — que eventualmente se inverterá?

O que esperar a seguir?

A narrativa do fim do ciclo não se resolverá rapidamente. Os próximos meses determinarão se as advertências de McGlone se confirmam ou se o Bitcoin consegue uma recuperação surpresa. Por ora, os dados pintam um quadro desconfortável: o Bitcoin tornou-se o elo mais fraco de um portfólio de ativos de risco, perdendo terreno tanto para os refúgios seguros quanto para os principais índices de ações tradicionais.

Se isso constitui um verdadeiro cenário de fim de ciclo ou apenas mais um capítulo na montanha-russa das criptomoedas, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a história da relação ouro versus Bitcoin deixou de ser teórica — ela é real, é mensurável, e para os entusiastas do Bitcoin, cada vez mais difícil de ignorar.

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