Por que a namorada de SBF recebeu apenas 2 anos: Dentro da sentença branda de Caroline Ellison

Quando um juiz federal condenou Caroline Ellison a uma pena de prisão de dois anos, ex-CEO da Alameda Research e ex-namorada de SBF, no final de 2024, levantou-se suspeitas nas comunidades jurídica e cripto. Afinal, ela enfrentava uma pena máxima de 110 anos atrás das grades. Mas a verdadeira surpresa não foi o resultado — foi o quão drasticamente diferente foi a sua sentença da do seu ex-parceiro. Enquanto Ellison recebeu dois anos, SBF (Sam Bankman-Fried) foi condenado a 25 anos de prisão por orquestrar o esquema de fraude massiva da FTX. O que explica essa diferença abismal?

A resposta está numa palavra: cooperação.

O Acordo que Mudou Tudo: Como Caroline Ellison se Tornou a Testemunha Estrela Contra SBF

No final de 2022, Caroline Ellison tomou uma decisão que moldaria o seu futuro. Ela se declarou culpada de sete acusações graves, incluindo fraude eletrônica, fraude de commodities, fraude de valores mobiliários e lavagem de dinheiro. Enfrentando mais de um século de prisão, Ellison poderia ter tentado resistir às acusações. Em vez disso, decidiu colaborar com os procuradores federais.

Essa decisão provou ser fundamental. Quando ela prestou depoimento no final de 2024, Ellison testemunhou por três dias consecutivos, detalhando como SBF tinha orquestrado uma das maiores fraudes financeiras da história. Nos processos judiciais, os procuradores federais chamaram seu testemunho de “a pedra angular do caso” contra o ex-CEO da FTX. A procuradora assistente dos EUA, Danielle Sassoon, foi enfática: o prova de Ellison era “devastadora e poderosa”, contradizendo diretamente o testemunho evasivo e desdenhoso de SBF.

Uma Testemunha Devastadora: Por que o Juiz Kaplan Considerou o Testemunho de Ellison Credível

O juiz Lewis Kaplan deixou claro durante a sentença que a cooperação de Ellison foi fundamental para garantir a condenação. “Em 30 anos, já vi muitos cooperadores,” disse Kaplan do banco. “Mas nunca vi alguém como a Sra. Ellison.”

O que tornou o testemunho de Ellison tão convincente? Segundo registros do tribunal, Kaplan encontrou “não a menor erro factual, a menor inconsistência” em seu relato. Sua descrição detalhada de como SBF usou depósitos de clientes para mascarar bilhões em perdas na Alameda — perdas que eram em grande parte respaldadas pelo próprio token em colapso da FTX, o FTT — forneceu aos jurados um roteiro claro do esquema de fraude.

Ellison também revelou como SBF a instruiu a criar múltiplos balanços falsos, projetados para enganar credores nervosos e manter o golpe à tona. No verão de 2022, quando o mercado de criptomoedas atingiu o fundo e empresas como Celsius e Three Arrow Capital colapsaram ao seu redor, a pressão aumentou. A fraude tornou-se mais desesperada e audaciosa.

O Preço da Cooperação: Como os Tribunais Avaliaram a Ajuda de Ellison

Durante a audiência de sentença, o juiz Kaplan destacou três razões críticas pelas quais a pena de Ellison seria drasticamente reduzida, apesar da gravidade de seus crimes:

Primeiro: A natureza e o grau de sua cooperação. Ellison não apenas testemunhou; ela forneceu provas que provaram diretamente a culpa de SBF. Seu conhecimento interno sobre balanços falsos e fraudes direcionadas foi insubstituível.

Segundo: A culpabilidade relativa. Kaplan enfatizou que as motivações de Ellison eram fundamentalmente diferentes das de SBF. Enquanto SBF era movido por ambição e ganância, Ellison era “vulnerável e foi aproveitada.” SBF chegou a chamá-la de “kryptonite” — um termo que sugeria controle e dependência, e não uma parceria igualitária.

Terceiro: Remorso genuíno. O juiz observou que o arrependimento de Ellison parecia autêntico. Na verdade, já em meados de 2022, ela começara a levantar preocupações internas sobre irregularidades nas contas da Alameda. Mais tarde, ela alertou Nishad Singh, diretor de engenharia da FTX, expressando preocupação crescente com os riscos de mercado da empresa. Embora seus avisos não tenham impedido o colapso, demonstraram que ela começara a questionar a operação.

Na sentença, Ellison dirigiu-se ao tribunal, oferecendo “suas mais profundas desculpas a todos aqueles prejudicados” pelo esquema que se estendeu de 2017 a 2022. Ela saiu do tribunal federal de Manhattan cercada por sua equipe jurídica, sem fazer comentários públicos.

Expondo o Esquema: O Escopo Completo da Operação “Caixa Negra” de SBF

No banco dos réus, Ellison explicou aos jurados, em detalhes minuciosos, a mecânica do esquema de fraude. Durante anos, SBF criou o que equivalia a um canal oculto entre a FTX e a Alameda, permitindo transferências secretas de depósitos de clientes para cobrir perdas de trading. Os balanços falsos eram essenciais para o esquema — eles convenciam credores, investidores e o mercado mais amplo de que ambas as entidades estavam financeiramente estáveis, quando, na realidade, a Alameda estava sangrando dinheiro.

A crise aprofundou-se em meados de 2022, quando falências em cascata na indústria de criptomoedas desencadearam retiradas e ceticismo. A implosão da Three Arrow Capital e a falência da Celsius criaram um efeito dominó. Com o próprio token da FTX (FTT) perdendo valor rapidamente, o colateral que respaldava as perdas da Alameda tornou-se quase inútil. A resposta de SBF foi intensificar a fraude, instruindo Ellison e outros a fabricarem documentos e esconderem a verdade.

O que tornou o relato de Ellison tão convincente foi sua especificidade. Ela podia nomear nomes, descrever reuniões e explicar exatamente como o esquema evoluiu ao longo do tempo. Seu testemunho respondeu efetivamente à pergunta fundamental do júri: como a FTX poderia implodir tão repentinamente?

Quando Insiders Mudam de Lado: Precedente Histórico para Testemunhas Cooperantes

O caso de Ellison não é o primeiro em que um insider colaborador recebe uma sentença significativamente reduzida. O exemplo mais famoso é Andrew Fastow, ex-diretor financeiro da Enron. Fastow desempenhou papel central na orquestração do enorme esquema de fraude da Enron no final dos anos 1990, e após testemunhar contra o CEO Jeffrey Skillings, recebeu uma sentença de seis anos — muito menos do que poderia ter enfrentado.

O juiz Kaplan mencionou explicitamente esse precedente, sugerindo que a cooperação em casos dessa magnitude justifica uma considerável clemência, embora não possa se transformar numa “passagem livre da prisão”. O juiz reconheceu a tensão: Ellison esteve envolvida, possivelmente, na maior fraude financeira da história dos EUA, senão do mundo. Mas sua cooperação foi decisiva.

Outros testemunhas no caso também receberam considerações semelhantes. Nishad Singh, engenheiro que também levantou preocupações sobre irregularidades na Alameda antes de testemunhar contra SBF, tinha sua sentença agendada após Ellison. Gary Wang, CTO da FTX e outro testemunha colaboradora, enfrentou sua sentença posteriormente. Mesmo Ryan Salame, ex-co-CEO da filial das Bahamas da FTX e testemunha menos cooperante, recebeu uma sentença de sete anos e meio em meados de 2024 — ainda uma fração do que os promotores poderiam ter buscado.

O Custo Pessoal: Por que a Vulnerabilidade de Ellison Importava

Além dos argumentos jurídicos, o juiz Kaplan pareceu sensibilizado pelas dimensões pessoais da situação de Ellison. O relacionamento romântico de SBF e Ellison tinha sido central para sua vulnerabilidade. Sua vida profissional e pessoal, como apontou sua equipe de defesa, girava em torno dele. Quando o esquema desmoronou, ela perdeu não só o emprego e a liberdade — ela perdeu sua identidade.

O trauma aprofundou-se quando, em 2023, SBF supostamente vazou o diário privado de Ellison para a mídia. Foi uma jogada calculada que a retratou como pouco confiável e vingativa. Mas também demonstrou o desequilíbrio de poder na relação deles e justificou, na visão do tribunal, a distinção entre sua culpabilidade e a dele.

Os advogados de Ellison solicitaram que ela evitasse a prisão completamente, citando “circunstâncias extraordinárias”. O juiz rejeitou esse pedido, mas concedeu a alternativa seguinte: uma pena mínima cumprida em uma instalação de segurança mínima, próxima de Boston, onde ela cresceu. “Todo aspecto da sua vida foi tornado público em um grau sem precedentes,” disse o juiz Kaplan. “Esperamos que esta sentença proporcione alguma mitigação.”

A Conclusão: Uma Lição Sobre o Valor de Contar a Verdade

A sentença de dois anos de Caroline Ellison envia uma mensagem clara: em casos de fraude massiva, o insider que coopera cedo e de forma completa pode esperar clemência dos tribunais. Sua decisão de se declarar culpada, testemunhar em detalhes e ajudar os procuradores a desmontar uma das maiores fraudes do mundo cripto provou ser muito mais valiosa do que qualquer defesa jurídica que ela pudesse montar.

Para SBF, o contraste não poderia ser mais evidente. Sua postura combativa durante seu próprio depoimento — evasiva, desdenhosa e com fatos inconsistentes — selou seu destino. Enquanto a remissão e cooperação de Ellison lhe renderam simpatia judicial, a resistência de SBF garantiu a punição máxima.

Ellison foi ordenada a se entregar e iniciar sua pena em 7 de novembro de 2024, marcando o fim de sua participação no caso que cativou o mundo jurídico. Se cumprir esses dois anos finalmente permitirá que ela supere a sombra de SBF, permanece uma questão em aberto.

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