Os mercados de café Arábica enfrentam a força da moeda brasileira e mudanças na oferta global

O mercado de café arábica registou movimentos de preços notáveis na quinta-feira, com os futuros a recuperarem de uma fraqueza inicial para fechar com uma subida modesta. Os contratos de arábica de março encerraram com uma subida de 0,06%, enquanto os futuros de robusta de março caíram 1,28%. A recuperação do arábica ocorreu à medida que o real brasileiro se valorizou para um máximo de 2,25 meses face ao dólar, desencadeando atividades de cobertura de posições vendidas. Um real mais forte torna as exportações de café brasileiro menos atraentes do ponto de vista cambial, o que paradoxalmente apoiou os preços à medida que os traders ajustaram as suas posições.

As perdas iniciais no café arábica tiveram origem nas previsões meteorológicas que indicavam precipitação nas principais regiões de cultivo do Brasil. O Weather Channel reportou potenciais chuvas diárias ao longo da semana em Minas Gerais, a maior região produtora de arábica do país. Além disso, o aumento dos inventários nos armazéns da ICE afetou o sentimento, com os stocks de arábica a subir para um máximo de 2,5 meses, atingindo 461.829 sacos na semana passada, de um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos registado em novembro.

Dinâmicas de Oferta que Apoiam os Valores do Arábica

As exportações de arábica do Brasil enfrentam obstáculos, o que fornece algum suporte aos preços apesar das preocupações globais de excesso de oferta. Segundo a Cecafe, as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, com os embarques de arábica a diminuir 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos. As exportações de robusta tiveram quedas ainda mais acentuadas de 61% em relação ao ano anterior.

Os padrões de precipitação nas regiões de cultivo chave continuam a ser uma variável crítica. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais recebeu 33,9 mm de chuva durante a semana que terminou a 16 de janeiro, representando apenas 53% da média histórica. Esta precipitação abaixo do normal sustenta os valores do café arábica ao ameaçar a produção futura potencial.

A Organização Internacional do Café confirmou dinâmicas de oferta mais restritas a curto prazo, reportando que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos. No entanto, esta força a curto prazo enfrenta pressões devido ao aumento das stocks previsto para mais tarde.

Perspetivas de Produção e Competição com a Robusta

A oferta de café arábica a longo prazo enfrenta obstáculos devido às estimativas de produção revistas do Brasil. A Conab, agência de previsão de colheitas do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção total de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos em dezembro. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção do Brasil em 2025/26 irá na verdade diminuir 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, sugerindo reduções de stocks à frente.

Os aumentos globais na produção de robusta apresentam uma pressão competitiva. As exportações de café do Vietname subiram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas em 2025, com a produção prevista para subir 6%, para 1,76 milhões de toneladas métricas, em 2025/26. A Associação de Café e Cacau do Vietname prevê que a produção possa aumentar 10% acima do ano agrícola anterior, se as condições meteorológicas permanecerem favoráveis.

Implicações de Mercado e Perspetivas para 2025/26

Embora o café arábica enfrente sinais mistos, o mercado de café mais amplo mostra mudanças estruturais. O USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. A produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta sobe 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.

As stocks finais para o ano de comercialização de 2025/26 estão previstas para cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Esta redução modesta de stocks sugere que os preços do café arábica continuarão a equilibrar os desafios de produção em regiões-chave contra a expansão das ofertas globais de concorrentes emergentes. O mercado permanece sensível às condições meteorológicas no Brasil e às tendências de produção no Sudeste Asiático.

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