Os preços do açúcar permanecem baixos nos principais centros de negociação, com o açúcar mundial #11 de março em NY (SBH26) a subir +0,07 pontos (+0,48%), enquanto o açúcar branco #5 de março em Londres ICE (SWH26) caiu -4,00 pontos (-0,95%). A contradição entre esses dois mercados destaca uma realidade mais ampla: as abundantes reservas de açúcar em todo o mundo são a força dominante que mantém os preços sob pressão sustentada, sobrepujando outros fatores de mercado, como as flutuações cambiais.
A questão fundamental é simples — o mundo está produzindo muito mais açúcar do que consegue consumir facilmente. As estimativas globais de produção de açúcar para a temporada 2025/26 apontam para uma produção recorde ou quase recorde, enquanto o crescimento da demanda permanece modesto. Esse desequilíbrio cria uma resistência estrutural para os preços, que provavelmente persistirá ao longo da temporada.
Brasil e Índia impulsionam o aumento da produção
Os dois maiores produtores de açúcar estão ambos aumentando a produção, ampliando a situação de oferta abundante. A produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2025-26 até dezembro atingiu 40,222 milhões de toneladas (MMT), representando um aumento de +0,9% em relação ao ano anterior. Mais significativamente, as usinas brasileiras direcionaram mais cana para a produção de açúcar do que de etanol, com a proporção de moagem de cana para açúcar subindo para 50,82% na temporada 2025/26, contra 48,16% no ano anterior. A agência de previsão de safra do Brasil elevou sua estimativa de produção anual para 45 MMT, sinalizando que a produção recorde está no caminho certo.
A Índia apresenta uma expansão de oferta ainda mais dramática. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de açúcar na Índia no primeiro trimestre (1 de outubro a 15 de janeiro) da temporada 2025/26 aumentou +22% em relação ao ano anterior, atingindo 15,9 MMT. A ISMA posteriormente elevou sua previsão de produção anual para 31 MMT, de 30 MMT, refletindo um aumento de +18,8% em relação ao ano anterior, impulsionado por chuvas de monção favoráveis e expansão da área plantada. Crucialmente, a Índia reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol para 3,4 MMT, de 5 MMT, liberando uma oferta adicional para os mercados de exportação.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial, também contribui para o quadro de oferta abundante. A Corporação de Usinas de Açúcar da Tailândia projetou que a safra de 2025/26 aumentaria +5% em relação ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT, mantendo sua posição como o segundo maior exportador mundial.
Aumento das exportações intensifica o excesso global
As reservas abundantes de açúcar estão se traduzindo em fluxos de exportação ampliados, especialmente da Índia. Após o ministério de alimentos da Índia indicar que permitiria exportações adicionais de açúcar para aliviar o excesso de oferta interno, as usinas receberam autorização para exportar 1,5 MMT durante a temporada 2025/26. Isso representa uma mudança política significativa em relação ao sistema de quotas introduzido na temporada 2022/23. A perspectiva de maiores exportações indianas está pressionando ainda mais os preços globais para baixo.
Excesso global deve persistir
Diversas agências de previsão elevaram suas estimativas de excedente para a temporada 2025/26, pintando um quadro de ofertas abundantes que se estenderão até o próximo ano. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhão de toneladas (MT) para 2025-26, revertendo um déficit de 2,916 milhões de MT do ano anterior. A ISO citou o aumento da produção da Índia, Tailândia e Paquistão como os principais fatores impulsionadores.
De forma mais dramática, a Covrig Analytics elevou sua estimativa de excedente global para 4,7 MMT, enquanto a corretora de açúcar Czarnikow aumentou sua previsão para 8,7 MMT. Essas estimativas variadas refletem a incerteza em relação à demanda global, mas todas apontam na mesma direção: o excesso de oferta continua sendo a condição fundamental do mercado.
O USDA, em seu relatório de dezembro, projetou que a produção global subiria +4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo global aumentaria apenas +1,4%, para 177,921 MMT. Essa divergência de 11 pontos nos índices de crescimento ilustra por que as reservas abundantes manterão os preços sob pressão: o crescimento da produção supera amplamente a expansão da demanda.
Alívio limitado esperado a curto prazo
Embora alguns prognosticadores prevejam que o excedente global de açúcar em 2026/27 se reduzirá para 1,4 MMT, à medida que os preços baixos eventualmente desestimulem a produção, a realidade do mercado a curto prazo continua sendo de oferta abundante e demanda restrita. A produção do Brasil deve cair ligeiramente em 2026/27, para 41,8 MMT, com as exportações caindo -11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT, mas isso representa apenas um alívio marginal em comparação com as condições atuais de excesso de oferta.
A convergência de uma produção recorde, fluxos de exportação ampliados e níveis elevados de estoques globais criou um ambiente onde os preços do açúcar terão dificuldades em encontrar suporte significativo. Até que o crescimento da produção diminua ou a demanda acelere substancialmente, as reservas abundantes continuarão sendo o fator dominante que mantém os preços baixos tanto em Nova York quanto em Londres.
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As abundantes ofertas globais de açúcar continuam a pressionar os preços para baixo
Os preços do açúcar permanecem baixos nos principais centros de negociação, com o açúcar mundial #11 de março em NY (SBH26) a subir +0,07 pontos (+0,48%), enquanto o açúcar branco #5 de março em Londres ICE (SWH26) caiu -4,00 pontos (-0,95%). A contradição entre esses dois mercados destaca uma realidade mais ampla: as abundantes reservas de açúcar em todo o mundo são a força dominante que mantém os preços sob pressão sustentada, sobrepujando outros fatores de mercado, como as flutuações cambiais.
A questão fundamental é simples — o mundo está produzindo muito mais açúcar do que consegue consumir facilmente. As estimativas globais de produção de açúcar para a temporada 2025/26 apontam para uma produção recorde ou quase recorde, enquanto o crescimento da demanda permanece modesto. Esse desequilíbrio cria uma resistência estrutural para os preços, que provavelmente persistirá ao longo da temporada.
Brasil e Índia impulsionam o aumento da produção
Os dois maiores produtores de açúcar estão ambos aumentando a produção, ampliando a situação de oferta abundante. A produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2025-26 até dezembro atingiu 40,222 milhões de toneladas (MMT), representando um aumento de +0,9% em relação ao ano anterior. Mais significativamente, as usinas brasileiras direcionaram mais cana para a produção de açúcar do que de etanol, com a proporção de moagem de cana para açúcar subindo para 50,82% na temporada 2025/26, contra 48,16% no ano anterior. A agência de previsão de safra do Brasil elevou sua estimativa de produção anual para 45 MMT, sinalizando que a produção recorde está no caminho certo.
A Índia apresenta uma expansão de oferta ainda mais dramática. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de açúcar na Índia no primeiro trimestre (1 de outubro a 15 de janeiro) da temporada 2025/26 aumentou +22% em relação ao ano anterior, atingindo 15,9 MMT. A ISMA posteriormente elevou sua previsão de produção anual para 31 MMT, de 30 MMT, refletindo um aumento de +18,8% em relação ao ano anterior, impulsionado por chuvas de monção favoráveis e expansão da área plantada. Crucialmente, a Índia reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol para 3,4 MMT, de 5 MMT, liberando uma oferta adicional para os mercados de exportação.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial, também contribui para o quadro de oferta abundante. A Corporação de Usinas de Açúcar da Tailândia projetou que a safra de 2025/26 aumentaria +5% em relação ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT, mantendo sua posição como o segundo maior exportador mundial.
Aumento das exportações intensifica o excesso global
As reservas abundantes de açúcar estão se traduzindo em fluxos de exportação ampliados, especialmente da Índia. Após o ministério de alimentos da Índia indicar que permitiria exportações adicionais de açúcar para aliviar o excesso de oferta interno, as usinas receberam autorização para exportar 1,5 MMT durante a temporada 2025/26. Isso representa uma mudança política significativa em relação ao sistema de quotas introduzido na temporada 2022/23. A perspectiva de maiores exportações indianas está pressionando ainda mais os preços globais para baixo.
Excesso global deve persistir
Diversas agências de previsão elevaram suas estimativas de excedente para a temporada 2025/26, pintando um quadro de ofertas abundantes que se estenderão até o próximo ano. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhão de toneladas (MT) para 2025-26, revertendo um déficit de 2,916 milhões de MT do ano anterior. A ISO citou o aumento da produção da Índia, Tailândia e Paquistão como os principais fatores impulsionadores.
De forma mais dramática, a Covrig Analytics elevou sua estimativa de excedente global para 4,7 MMT, enquanto a corretora de açúcar Czarnikow aumentou sua previsão para 8,7 MMT. Essas estimativas variadas refletem a incerteza em relação à demanda global, mas todas apontam na mesma direção: o excesso de oferta continua sendo a condição fundamental do mercado.
O USDA, em seu relatório de dezembro, projetou que a produção global subiria +4,6% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo global aumentaria apenas +1,4%, para 177,921 MMT. Essa divergência de 11 pontos nos índices de crescimento ilustra por que as reservas abundantes manterão os preços sob pressão: o crescimento da produção supera amplamente a expansão da demanda.
Alívio limitado esperado a curto prazo
Embora alguns prognosticadores prevejam que o excedente global de açúcar em 2026/27 se reduzirá para 1,4 MMT, à medida que os preços baixos eventualmente desestimulem a produção, a realidade do mercado a curto prazo continua sendo de oferta abundante e demanda restrita. A produção do Brasil deve cair ligeiramente em 2026/27, para 41,8 MMT, com as exportações caindo -11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT, mas isso representa apenas um alívio marginal em comparação com as condições atuais de excesso de oferta.
A convergência de uma produção recorde, fluxos de exportação ampliados e níveis elevados de estoques globais criou um ambiente onde os preços do açúcar terão dificuldades em encontrar suporte significativo. Até que o crescimento da produção diminua ou a demanda acelere substancialmente, as reservas abundantes continuarão sendo o fator dominante que mantém os preços baixos tanto em Nova York quanto em Londres.