Os mercados de açúcar apresentaram um desempenho ligeiramente misto nas primeiras negociações, com os contratos de março de Nova Iorque a subir marginalmente enquanto o açúcar branco de Londres recuou para níveis próximos dos mínimos de 2,5 meses. O mercado de Nova Iorque registou uma recuperação modesta após a fraqueza inicial, à medida que emergiu alguma cobertura de posições vendidas, impulsionada pela valorização do real brasileiro até ao seu nível mais forte em 20 meses. Uma moeda brasileira mais forte costuma desencorajar a atividade de exportação por parte dos produtores de açúcar da região, proporcionando um suporte temporário aos preços que têm enfrentado uma pressão descendente persistente devido às expectativas elevadas de produção global.
O panorama fundamental para o açúcar permanece desafiado por um aumento global de produção que supera significativamente o crescimento do consumo. Várias agências de previsão projetam diferentes graus de desequilíbrio de mercado para a temporada de 2025/26, com avaliações divergentes que criam incerteza na comunidade de negociação.
Previsões Globais de Produção Sinalizam Condições de Excesso Estendidas
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) recentemente delineou expectativas de um excedente de 1,625 milhões de toneladas métricas em 2025-26, revertendo o défice de 2,916 milhões de MT do ano anterior. Esta mudança reflete a projeção da organização de um aumento de 3,2% na produção global de açúcar em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 milhões de MT. No entanto, outras entidades de previsão oferecem perspetivas mais pessimistas. A Covrig Analytics aumentou a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 4,7 milhões de MT no final de dezembro, enquanto a trader de açúcar Czarnikow elevou a sua estimativa para 8,7 milhões de MT, aproximadamente o dobro da previsão da ISO. Estas estimativas divergentes evidenciam a complexidade dos cálculos da cadeia de abastecimento global e a maior incerteza em torno da descoberta de preços.
O mais recente relatório bianual do USDA projeta uma produção global de 189,318 milhões de MT em 2025/26, representando um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. O consumo humano deve crescer 1,4% em relação ao ano anterior, atingindo 177,921 milhões de MT, deixando a produção substancialmente acima da procura. As stocks finais globais estão previstas para diminuir ligeiramente 2,9% em relação ao ano anterior, para 41,188 milhões de MT, oferecendo apenas um suporte mínimo face à escala dos excedentes previstos.
Expansão da Produção Regional Impulsiona Pressão no Mercado
A trajetória de produção de açúcar na Índia representa uma das histórias de oferta mais relevantes e otimistas do mercado. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) reportou que a produção acumulada de 2025-26 até meados de janeiro totalizou 15,9 milhões de MT, refletindo um aumento robusto de 22% em relação ao ano anterior. A ISMA aumentou a sua estimativa de produção para toda a temporada 2025/26 para 31 milhões de MT, face à previsão anterior de 30 milhões de MT, representando uma expansão de 18,8% em relação ao ano anterior. Este aumento de produção ganha particular relevância dado que a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e que o governo tem vindo a implementar mudanças de política para ampliar as exportações. O Ministério da Alimentação da Índia aprovou autorizações de exportação de 1,5 milhões de MT para a temporada 2025/26, revertendo parcialmente o sistema de quotas de exportação implementado em 2022/23.
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, continua a apoiar as expectativas de oferta elevada. A Conab, agência oficial de previsão de culturas do Brasil, projeta uma produção de 45 milhões de MT em 2025/26, aumentando em relação às estimativas anteriores. A Unica reportou que a produção acumulada na região Centro-Sul do Brasil até dezembro avançou 0,9% em relação ao ano anterior, para 40,222 milhões de MT, enquanto a percentagem de cana desviada para produção de açúcar subiu para 50,82%, face a 48,16% na temporada anterior. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA prevê uma produção brasileira recorde de 44,7 milhões de MT para 2025/26, um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, acrescenta à pressão de oferta. A Thai Sugar Millers Corporation projetou uma produção de 10,5 milhões de MT para 2025/26, representando um aumento de 5% em relação ao ano anterior. O USDA estima de forma um pouco mais conservadora a produção tailandesa em 10,25 milhões de MT, ainda assim um aumento de 2% em relação ao ano anterior.
Pressões de Mercado Persistem Apesar de Rebounds Modestos nos Preços
A convergência de previsões de produção recorde e a liberalização de exportações impulsionada por políticas cria uma resistência estrutural à valorização dos preços. No entanto, fatores técnicos de curto prazo têm proporcionado alívios periódicos. A valorização do real brasileiro até ao seu nível mais alto em 20 meses apresenta um obstáculo temporário à agressividade de exportação da região, apoiando o tom ligeiramente mais firme observado na cotação dos contratos de NY.
Olhar mais à frente, as dinâmicas de oferta podem gradualmente tornar-se mais favoráveis aos preços. A Safras & Mercado projeta que a produção de açúcar no Brasil diminuirá 3,91% em relação ao ano anterior em 2026/27, para 41,8 milhões de MT, face aos 43,5 milhões de MT esperados em 2025/26. As exportações de açúcar do Brasil deverão também cair 11% em relação ao ano anterior, para 30 milhões de MT. A previsão da Covrig Analytics sugere igualmente que as condições de excedente em 2026/27 se irão estreitar substancialmente para 1,4 milhões de MT, a partir das expectativas da temporada atual, potencialmente criando um ambiente de preços mais construtivo à medida que os incentivos à produção enfraquecem e a disposição dos produtores para expandir a área plantada moderar-se.
Por agora, os preços ligeiramente elevados de março refletem uma procura de oportunidade de curto prazo, mais do que um realinhamento fundamental de oferta e procura. A escala dos excedentes previstos para 2025/26 — mesmo considerando as estimativas divergentes dos previsores — permanece suficiente para limitar uma valorização significativa dos preços nos próximos meses.
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O mercado global de açúcar enfrenta uma ligeira recuperação à medida que a valorização da moeda do Brasil impacta a dinâmica das exportações
Os mercados de açúcar apresentaram um desempenho ligeiramente misto nas primeiras negociações, com os contratos de março de Nova Iorque a subir marginalmente enquanto o açúcar branco de Londres recuou para níveis próximos dos mínimos de 2,5 meses. O mercado de Nova Iorque registou uma recuperação modesta após a fraqueza inicial, à medida que emergiu alguma cobertura de posições vendidas, impulsionada pela valorização do real brasileiro até ao seu nível mais forte em 20 meses. Uma moeda brasileira mais forte costuma desencorajar a atividade de exportação por parte dos produtores de açúcar da região, proporcionando um suporte temporário aos preços que têm enfrentado uma pressão descendente persistente devido às expectativas elevadas de produção global.
O panorama fundamental para o açúcar permanece desafiado por um aumento global de produção que supera significativamente o crescimento do consumo. Várias agências de previsão projetam diferentes graus de desequilíbrio de mercado para a temporada de 2025/26, com avaliações divergentes que criam incerteza na comunidade de negociação.
Previsões Globais de Produção Sinalizam Condições de Excesso Estendidas
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) recentemente delineou expectativas de um excedente de 1,625 milhões de toneladas métricas em 2025-26, revertendo o défice de 2,916 milhões de MT do ano anterior. Esta mudança reflete a projeção da organização de um aumento de 3,2% na produção global de açúcar em relação ao ano anterior, atingindo 181,8 milhões de MT. No entanto, outras entidades de previsão oferecem perspetivas mais pessimistas. A Covrig Analytics aumentou a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 4,7 milhões de MT no final de dezembro, enquanto a trader de açúcar Czarnikow elevou a sua estimativa para 8,7 milhões de MT, aproximadamente o dobro da previsão da ISO. Estas estimativas divergentes evidenciam a complexidade dos cálculos da cadeia de abastecimento global e a maior incerteza em torno da descoberta de preços.
O mais recente relatório bianual do USDA projeta uma produção global de 189,318 milhões de MT em 2025/26, representando um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. O consumo humano deve crescer 1,4% em relação ao ano anterior, atingindo 177,921 milhões de MT, deixando a produção substancialmente acima da procura. As stocks finais globais estão previstas para diminuir ligeiramente 2,9% em relação ao ano anterior, para 41,188 milhões de MT, oferecendo apenas um suporte mínimo face à escala dos excedentes previstos.
Expansão da Produção Regional Impulsiona Pressão no Mercado
A trajetória de produção de açúcar na Índia representa uma das histórias de oferta mais relevantes e otimistas do mercado. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) reportou que a produção acumulada de 2025-26 até meados de janeiro totalizou 15,9 milhões de MT, refletindo um aumento robusto de 22% em relação ao ano anterior. A ISMA aumentou a sua estimativa de produção para toda a temporada 2025/26 para 31 milhões de MT, face à previsão anterior de 30 milhões de MT, representando uma expansão de 18,8% em relação ao ano anterior. Este aumento de produção ganha particular relevância dado que a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e que o governo tem vindo a implementar mudanças de política para ampliar as exportações. O Ministério da Alimentação da Índia aprovou autorizações de exportação de 1,5 milhões de MT para a temporada 2025/26, revertendo parcialmente o sistema de quotas de exportação implementado em 2022/23.
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, continua a apoiar as expectativas de oferta elevada. A Conab, agência oficial de previsão de culturas do Brasil, projeta uma produção de 45 milhões de MT em 2025/26, aumentando em relação às estimativas anteriores. A Unica reportou que a produção acumulada na região Centro-Sul do Brasil até dezembro avançou 0,9% em relação ao ano anterior, para 40,222 milhões de MT, enquanto a percentagem de cana desviada para produção de açúcar subiu para 50,82%, face a 48,16% na temporada anterior. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA prevê uma produção brasileira recorde de 44,7 milhões de MT para 2025/26, um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, acrescenta à pressão de oferta. A Thai Sugar Millers Corporation projetou uma produção de 10,5 milhões de MT para 2025/26, representando um aumento de 5% em relação ao ano anterior. O USDA estima de forma um pouco mais conservadora a produção tailandesa em 10,25 milhões de MT, ainda assim um aumento de 2% em relação ao ano anterior.
Pressões de Mercado Persistem Apesar de Rebounds Modestos nos Preços
A convergência de previsões de produção recorde e a liberalização de exportações impulsionada por políticas cria uma resistência estrutural à valorização dos preços. No entanto, fatores técnicos de curto prazo têm proporcionado alívios periódicos. A valorização do real brasileiro até ao seu nível mais alto em 20 meses apresenta um obstáculo temporário à agressividade de exportação da região, apoiando o tom ligeiramente mais firme observado na cotação dos contratos de NY.
Olhar mais à frente, as dinâmicas de oferta podem gradualmente tornar-se mais favoráveis aos preços. A Safras & Mercado projeta que a produção de açúcar no Brasil diminuirá 3,91% em relação ao ano anterior em 2026/27, para 41,8 milhões de MT, face aos 43,5 milhões de MT esperados em 2025/26. As exportações de açúcar do Brasil deverão também cair 11% em relação ao ano anterior, para 30 milhões de MT. A previsão da Covrig Analytics sugere igualmente que as condições de excedente em 2026/27 se irão estreitar substancialmente para 1,4 milhões de MT, a partir das expectativas da temporada atual, potencialmente criando um ambiente de preços mais construtivo à medida que os incentivos à produção enfraquecem e a disposição dos produtores para expandir a área plantada moderar-se.
Por agora, os preços ligeiramente elevados de março refletem uma procura de oportunidade de curto prazo, mais do que um realinhamento fundamental de oferta e procura. A escala dos excedentes previstos para 2025/26 — mesmo considerando as estimativas divergentes dos previsores — permanece suficiente para limitar uma valorização significativa dos preços nos próximos meses.