O RMB na Cena Internacional: De Renminbi a CNY

Existe uma revelação que surpreende muitos: a moeda da China, conhecida como RMB dentro do país, adopta uma designação completamente diferente no contexto internacional. Esta dualidade nomenclatória reflete não só uma questão linguística, mas um fenómeno profundo relacionado com a padronização internacional e a posição económica global da China. Compreender por que o RMB é denominado de forma distinta fora das suas fronteiras é fundamental para entender como as nações participam no sistema económico mundial.

A Viagem Histórica da Moeda Chinesa

A história monetária da China é um testemunho da sua evolução económica e política através de múltiplas dinastias. Durante a Dinastia Han, a circulação de moedas era dominada pelo ouro e pela prata, sendo o “Kaiyuan Tongbao” uma das mais representativas. Esta moeda antiga apresentava características distintivas: a palavra “kai” localizada na parte superior e “yuan” na inferior, rodeadas de padrões que imitavam desenhos ornamentais dourados nas quatro direções. A qualidade e a beleza do padrão eram consideradas marcas de prestígio e fiabilidade.

Com o passar do tempo, durante a Dinastia Song, emergiu uma inovação revolucionária: o papel moeda. Esta transição desde as moedas cunhadas ao papel moeda transformou fundamentalmente o sistema de circulação monetária. Surgiram denominações como os bilhetes “bao” e posteriormente os reconhecidos “bilhetes de yuans de ouro” e “bilhetes de yuans de cobre”, que se tornaram meios de troca oficiais em diferentes regiões.

A Dinastia Qing presenciou transformações adicionais, embora também tenha enfrentado desafios significativos. A falta de compreensão adequada dos princípios económicos modernos gerou crises monetárias que resultaram na desvalorização da moeda. Estes problemas levaram a que o sistema monetário fosse vinculado aos lingotes de prata como forma de estabilização.

A Reforma Monetária e a Modernização do Sistema

Após a bem-sucedida Revolução de 1911, que derrubou o sistema imperial manchu e estabeleceu a República, Sun Yat-sen, que exercia funções como Ministro das Finanças, implementou reformas monetárias cruciais. Estas reformas incluíram a unificação da supervisão das emissões monetárias sob o controlo central do governo, o encerramento de instituições financeiras privadas em concorrência, e a padronização da cunhagem nacional.

O sistema monetário reformado introduziu o “dólar de prata” como a principal moeda em circulação. Paralelamente, foram estabelecidos mecanismos de controlo sobre os cinco principais bancos e as cinco casas financeiras, fortalecendo a capacidade do departamento financeiro estatal para gerir a economia monetária. Esta consolidação foi essencial para que a China pudesse integrar a sua economia nacional e exercer soberania monetária efetiva, evoluindo de uma denominação de “escritório” para a de “moeda” com autoridade centralizada.

RMB e CNY: Compreendendo a Dualidade Nomenclatural

Uma questão frequente no contexto internacional é: qual é a diferença entre RMB e CNY? A resposta reside numa combinação de fatores históricos, linguísticos e normativos internacionais. “RMB” é uma abreviatura do nome próprio “Renminbi” (人民币), onde a “M” representa “moeda” na transliteração pinyin de “minbi” (民币). Este termo é reconhecido pelos padrões legais e nacionais da China.

No entanto, quando se trata de transações internacionais e padrões globais, a designação utilizada é “CNY” (código ISO 4217), que representa a abreviatura em inglês de “Renminbi”. Esta distinção responde a convenções internacionais estabelecidas. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza principalmente inglês e francês, adotou “CNY” como o código padrão para a moeda chinesa. Esta decisão não foi arbitrária, mas reflete as práticas internacionais onde cada país estabelece um código alfabético para a sua divisa baseado em padrões uniformizados globalmente.

É importante notar que a China não protege o uso exclusivo do termo “RMB” em contextos internacionais, o que facilitou que “CNY” se tenha tornado na designação predominante nos mercados globais. Ambos os termos coexistem: RMB representa a denominação oficial dentro da China, enquanto que CNY simboliza a moeda no contexto das transações internacionais e dos mercados financeiros globais.

A Internacionalização do RMB: Necessidade e Oportunidade

Como moeda estatal, o RMB tem sido historicamente gerido pelo governo ou pelo departamento financeiro da China. No entanto, a internacionalização do RMB representa uma mudança fundamental na forma como esta divisa se projeta no palco mundial. A entrada oficial da China no FMI em 1980, como estado membro participante, marcou um ponto de inflexão neste processo.

A internacionalização do RMB significa permitir o uso e a circulação desta moeda em mercados internacionais, facilitando o comércio bilateral e os investimentos transfronteiriços. Este processo não é meramente simbólico; representa a integração da economia chinesa num sistema monetário global mais amplo e complexo. A adoção de “CNY” como designação internacional foi estratégica: como idioma dominante nas transações comerciais internacionais, o inglês permitia que a moeda chinesa fosse facilmente identificável dentro dos sistemas de intercâmbio global.

A internacionalização do RMB também reflete a melhoria da força nacional global da China e a aceleração da sua participação ativa em instituições económicas internacionais. Esta expansão monetária facilita a cooperação económica e comercial entre a China e outros países, posicionando o RMB como um instrumento não só de intercâmbio, mas de poder económico e influência diplomática.

Comparativa Global: O RMB Frente ao Dólar Americano

Para compreender a posição atual do RMB na economia mundial, é necessário fazer uma comparação com a moeda de referência global: o dólar americano. Os Estados Unidos, reconhecidos mundialmente pela sua sofisticada capacidade de gestão monetária e financeira, mantêm o domínio do dólar como moeda de reserva. Atualmente, o dólar americano representa aproximadamente 64% das reservas monetárias mundiais, superando significativamente todas as outras moedas combinadas.

Em contraste, a circulação internacional do RMB representa menos de 2% dos fluxos monetários globais. Esta disparidade reflete a diferença entre o longo historial da supremacia do dólar e o processo mais recente de internacionalização do RMB. No entanto, esta lacuna também representa uma oportunidade: com o fortalecimento da economia chinesa e a sua maior participação em estruturas económicas internacionais, existe potencial para um crescimento significativo na adoção global do RMB.

A crise económica e financeira de 2008 nos Estados Unidos proporcionou uma oportunidade para que surgissem alternativas ao dólar nos mercados internacionais. Este evento, embora temporário nos seus efeitos sobre a hegemonia do dólar, acelerou as discussões sobre a necessidade de uma maior diversificação nas reservas monetárias mundiais. O RMB emergiu como um potencial candidato para esta diversificação, especialmente dado o crescimento económico sustentado da China durante esse período.

Perspectivas Futuras para o RMB na Economia Mundial

O futuro do RMB na cena internacional dependerá de vários fatores interligados. Em primeiro lugar, a força contínua da economia chinesa é fundamental. Com o desenvolvimento e as mudanças constantes no ambiente económico global, o processo de internacionalização do RMB enfrentará tanto oportunidades como desafios.

O governo chinês reconheceu a importância de fortalecer a cooperação internacional e de aprender com sistemas monetários mais maduros. O objetivo é melhorar sistematicamente a visibilidade e o estatuto do RMB nos mercados financeiros internacionais. Para o alcançar, é necessário construir um ambiente de desenvolvimento monetário mais aberto e inclusivo, que facilite a adoção gradual do RMB em transações internacionais e como moeda de reserva alternativa.

A expansão do RMB também está intimamente ligada a iniciativas económicas mais amplas da China, como a Iniciativa de Belt and Road. Estas plataformas de cooperação internacional proporcionam veículos concretos para aumentar o uso do RMB em transações comerciais regionais e globais. À medida que mais países participam nestas iniciativas de cooperação económica, a utilidade e a aceitação do RMB como meio de troca tendem a aumentar de forma orgânica.

Por fim, a moeda da China, o RMB, continuará a responder ativamente às mudanças no ambiente internacional. A sua projeção no palco mundial não é apenas uma questão de designação nomenclatural ou convenção de códigos ISO, mas um reflexo tangível do poder económico, da estabilidade institucional e da capacidade de inovação de uma nação. A persistência na melhoria destes elementos determinará se o RMB alcançará uma maior presença na economia mundial nas próximas décadas.

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