
Um side-channel attack é uma técnica que explora “sinais não intencionais” produzidos durante operações criptográficas para deduzir segredos, como chaves privadas ou dados de transação. Ao contrário dos ataques que visam o algoritmo criptográfico em si, os side-channel attacks “interceptam” sinais físicos ou comportamentais emitidos pela implementação de um sistema.
Pode comparar-se a “ouvir o clique de uma fechadura para tentar adivinhar a combinação.” Embora o algoritmo criptográfico (a fechadura) seja robusto, a implementação física pode emitir indícios subtis, como variações no tempo de execução, consumo de energia ou emissões eletromagnéticas. Os atacantes analisam estes sinais para reconstruir parâmetros críticos.
Os side-channel attacks exploram sinais físicos ou de sistema associados a dados confidenciais — como variações temporais, padrões de consumo de energia ou comportamentos de acesso à cache. Estes sinais refletem os passos internos da computação criptográfica e podem revelar padrões subjacentes ou valores numéricos.
Os sinais de fuga mais comuns incluem:
Por exemplo, em assinaturas digitais, o ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm) utiliza um nonce (número aleatório de utilização única). Se a implementação permitir que o nonce se correlacione com o tempo de execução ou consumo de energia, os atacantes podem deduzi-lo a partir destes sinais e, em última análise, obter a chave privada.
Os side-channel attacks podem comprometer tanto hardware wallets como software wallets. No hardware, os atacantes podem deduzir códigos PIN ou parâmetros de assinatura através da análise do consumo de energia ou de emissões eletromagnéticas. No software, podem inferir valores sensíveis por medições temporais ou padrões de acesso à cache.
Em hardware wallets, estudos mostram que chips sem blindagem adequada podem expor assinaturas de consumo de energia distintas durante operações de assinatura. Para mitigar este risco, os fabricantes recorrem a algoritmos de tempo constante, injeção de ruído e materiais de blindagem.
Nas software wallets, temporizadores de alta precisão ou caches partilhadas em browsers ou sistemas operativos podem revelar diferenças subtis de tempo ou padrões de acesso à cache. As wallets combatem isto recorrendo a código de tempo constante, redução da precisão dos temporizadores e isolamento das computações sensíveis.
Os side-channel attacks têm impacto limitado nos próprios smart contracts, pois a execução on-chain é pública e verificável — não existe “lógica secreta” relevante em blockchains públicas. Contudo, componentes off-chain e trajetos de rede associados a smart contracts podem expor dados privados.
Ao nível da rede, o tempo de difusão das transações e as características do encaminhamento podem ser analisados para associar transações a endereços IP ou localizações geográficas. Estudos académicos demonstraram que Bitcoin e outras redes blockchain podem ser desanonimizadas através de análise de ligações e latências — um side channel de temporização de rede.
Em processos como oráculos, agregação de assinaturas ou provas L2 — onde o cálculo ocorre off-chain e os resultados são submetidos on-chain — fugas de side-channel resultantes de execuções não constantes ou acesso à cache podem permitir a adversários inferir fragmentos de chaves ou dados de entrada.
Os tipos mais comuns incluem canais laterais de temporização, análise de energia/eletromagnética, ataques à cache e predição de ramificações, e, menos frequentemente, canais acústicos ou óticos. Todos dependem de “indícios externos” para inferir segredos internos.
Nos canais laterais de temporização, existiram vários casos em que bibliotecas de assinatura expuseram informações relacionadas com ECDSA devido a diferenças temporais mensuráveis. As principais bibliotecas utilizam agora operações de tempo constante e randomização para mitigar o risco.
Na análise de energia/eletromagnética, investigadores de segurança mostraram que implementações iniciais de assinaturas em hardware podiam revelar informações de chaves através de rastreios de energia, caso faltassem blindagem, randomização e proteção contra injeção de falhas. Os fornecedores responderam com atualizações de firmware e melhorias de hardware para reduzir este risco.
Ataques baseados em cache exploram a cache partilhada e as funcionalidades de predição de ramificações dos CPUs modernos para expor padrões de acesso. Browsers e sistemas operativos reduziram entretanto a precisão dos temporizadores, isolaram sites e apertaram restrições à compilação JIT como medidas defensivas.
As defesas atuam ao nível da implementação e da utilização: minimizar diferenças observáveis na implementação e reduzir a superfície de ataque na utilização.
No lado da engenharia:
No lado do utilizador:
Mesmo com forte proteção da chave privada, deve preparar medidas de contingência para potenciais perdas — especialmente no que respeita à segurança da conta de exchange.
Em 2025, a investigação foca-se cada vez mais em side channels baseados em browsers e dispositivos móveis — especialmente os que envolvem sensores multimédia e detalhes microarquiteturais. Ambientes cloud, provas L2 e cenários de hardware multi-inquilino/especializado também ganham destaque. Do lado da defesa, há uma adoção mais ampla de bibliotecas de tempo constante, isolamento de processos em browsers e blindagem de hardware.
Áreas-chave a acompanhar incluem: utilização de machine learning para eliminar ruído em sinais de energia/eletromagnéticos; auditorias de side-channel em chips de provas rollup e módulos de assinatura; e redução contínua da precisão dos temporizadores e minimização de permissões nos frontends das wallets.
Os side-channel attacks não comprometem algoritmos, mas exploram “sinais não intencionais” de implementações e ambientes. Nos ecossistemas blockchain, as operações de assinatura das wallets e a privacidade da rede são os pontos de maior risco. Defesas eficazes exigem uma combinação de práticas de engenharia (código de tempo constante, randomização, blindagem de hardware) e estratégias do utilizador (isolamento de browser, assinatura offline, exposição mínima). Para utilizadores de exchanges, combine listas brancas e autenticação multifator para mitigar perdas. Com a evolução das técnicas de ataque, atualizações contínuas e defesas em camadas são essenciais para a segurança a longo prazo.
Os side-channel attacks não quebram diretamente chaves criptográficas — monitorizam antes informações físicas emitidas durante a operação do sistema para roubar segredos. O hacking tradicional explora normalmente vulnerabilidades algorítmicas; os side-channel attacks aproveitam sinais como emissões eletromagnéticas, atrasos temporais ou flutuações de energia — semelhante a adivinhar a password de alguém observando os movimentos musculares, em vez de arrombar um cofre. Estes ataques são difíceis de defender porque nem os algoritmos mais robustos conseguem ocultar características físicas.
As mobile wallets apresentam risco relativamente baixo, pois os atacantes necessitariam de proximidade física ao dispositivo para captar sinais físicos precisos. Os side-channel attacks ameaçam sobretudo alvos que podem ser monitorizados ao longo do tempo — como servidores de exchange, hardware cold wallets ou grandes instalações de mineração. No entanto, se realizar transações em WiFi público, os atacantes podem combinar análise de side-channel a nível de rede para inferir a sua atividade. Utilize redes privadas seguras e mantenha as apps das wallets atualizadas com os patches de segurança mais recentes.
Os servidores de exchange processam volumes massivos de transações; os atacantes podem potencialmente deduzir o conteúdo das transações dos utilizadores ou operações de chaves privadas monitorizando o consumo energético dos servidores ou tempos de resposta. Se fugas de side-channel expuserem materiais criptográficos dos utilizadores, hackers podem roubar ativos diretamente. A Gate utiliza módulos de segurança de hardware, ofuscação de código, execução de tempo constante e outras contramedidas para garantir que, mesmo que sejam observadas informações físicas, estas não possam ser usadas para reconstruir dados sensíveis — essencial para a proteção dos ativos dos utilizadores.
Não necessariamente. Side-channel attacks bem-sucedidos exigem condições muito específicas: os atacantes devem aceder fisicamente ao seu dispositivo ou captar medições precisas remotamente, tendo profundo conhecimento dos detalhes internos do sistema. A maioria dos dispositivos pessoais não é facilmente acessível. Para ativos de elevado valor (grandes wallets, backends de exchanges), o risco de side-channel é mais relevante — por isso, utilizar hardware wallets, configurações multi-signature e transferir regularmente grandes quantias para offline reduz significativamente a exposição.
Em primeiro lugar, reveja imediatamente o histórico de transações da sua conta para identificar atividade suspeita; se detetar transferências não autorizadas, transfira de imediato os fundos remanescentes para uma nova wallet segura. Os side-channel attacks exigem geralmente monitorização prolongada — incidentes isolados raramente permitem obter chaves privadas completas — pelo que uma ação rápida é crucial para minimizar perdas. Contacte o suporte da Gate para reportar anomalias e ative medidas de segurança como autenticação de dois fatores e listas brancas de levantamento. Verifique também se o seu ambiente de rede foi comprometido; se necessário, altere de dispositivo e de rede.


