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Na Europa, as restrições às empresas chinesas são mais rigorosas, o que pode levar a uma situação de "perda múltipla". A União Europeia anunciou um projeto de lei que impõe a marcação "Fabricado na UE".
A Comissão Europeia anunciou oficialmente, no dia 4, a proposta do tão aguardado “Regulamento de Aceleradores Industriais” (IAA), uma legislação destinada a aumentar a competitividade da indústria da UE. A proposta é vista como tendo um forte tom protecionista e uma intenção direcionada contra a China. A Câmara de Comércio UE-China emitiu uma declaração na mesma data, expressando preocupação e oposição, embora compreenda os objetivos estratégicos da UE de reforçar a competitividade, promover a transição verde e garantir a segurança económica. Afirmam que as disposições da proposta podem ter impactos profundos na abertura do mercado, na concorrência justa e na cooperação económica sino-europeia.
Diversificação de estratégias para fortalecer a “Indústria da UE”
Após semanas de debates e atrasos, a Comissão Europeia divulgou a proposta no dia 4. Segundo o comunicado de imprensa, o IAA é uma iniciativa legislativa que visa fortalecer a base industrial europeia, promovendo o desenvolvimento da manufatura, o crescimento empresarial e a criação de empregos. Foca-se em setores estratégicos com grande concorrência e pressão estrutural, como indústrias intensivas em energia (aço, cimento, alumínio, produtos químicos), tecnologias de emissão zero e fabricação de componentes automotivos. A UE pretende, através de várias medidas do IAA, aumentar a participação da manufatura no PIB da UE de 14,3% em 2024 para 20% até 2035, reforçando a resiliência, competitividade e segurança económica europeia.
O comunicado indica que a UE pretende introduzir requisitos de localização e padrões de baixo carbono em compras públicas e programas de apoio, obrigando as empresas a cumprir critérios específicos, como, por exemplo, que 25% do alumínio em projetos de alumínio seja produzido na UE e que utilizem tecnologias de baixo carbono.
A proposta também impõe condições adicionais a investimentos estratégicos na UE superiores a 100 milhões de euros, como limitar a participação de capital estrangeiro a 49%, garantir transferência de tecnologia e assegurar que pelo menos 50% dos empregos sejam ocupados por trabalhadores da UE, especialmente se um país terceiro tiver mais de 40% da capacidade global em veículos elétricos, baterias, energia solar e matérias-primas essenciais.
Além disso, o IAA criou um sistema exclusivo de “parceiros confiáveis”, onde produtos de países com acordos de livre comércio ou que sejam partes do Acordo de Contratação Pública podem ser considerados “equivalentes à origem na UE” se atenderem a certos critérios. A China não está nesta lista.
A Nihon Keizai Shimbun comentou, no dia 5, que a proposta da UE tem forte caráter protecionista, visando excluir produtos chineses de baixo custo e fortalecer a indústria europeia. O South China Morning Post descreveu o IAA como uma “bomba política” que desafia décadas de princípios de livre comércio e economia da UE. A reportagem aponta que todas as medidas visam restringir ainda mais as empresas chinesas na Europa. Segundo ela, o IAA revela três grandes ansiedades na UE: como lidar com produtos chineses de alta qualidade e baixo preço, preocupações crescentes com a segurança dos investimentos na China e a urgência de agir rapidamente.
De acordo com a Deutsche Welle, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Stella Kyriakides, alertou na conferência de imprensa: “Se não agirmos, em poucos anos, 100% dos produtos de tecnologia limpa serão produzidos na China… Nos próximos anos, toda a nossa indústria de cimento e aço poderá ser transferida para fora da Europa.”
Ainda em revisão antes da publicação
A implementação final do IAA permanece incerta. Segundo a Reuters, após o anúncio, os países da UE e o Parlamento Europeu precisarão negociar e aprovar a legislação, podendo ela ainda sofrer alterações. A proposta conta com forte apoio da França, mas países como Suécia e República Checa criticam duramente, alertando que isso pode assustar investidores e aumentar custos. A Alemanha mantém uma postura cautelosa; o chanceler Olaf Scholz afirmou, no mês passado, que as regras de “prioridade europeia” devem ser uma última opção e que devem ser incluídas em acordos comerciais com outros parceiros. A ARD reportou que a indústria alemã criticou fortemente o conteúdo do IAA, alegando que as propostas são burocráticas e protecionistas.
Segundo o Politico Europe, na sua edição de 3 de outubro, a proposta foi inicialmente rejeitada por até nove departamentos da Comissão Europeia, e na semana seguinte, essa rejeição foi reduzida a três, incluindo o departamento de comércio. Ainda assim, o projeto passou por várias modificações de última hora, como a exclusão de setores como tecnologia. Críticos argumentam que a proposta ainda não está madura e que, ao ser submetida ao Conselho da UE e ao Parlamento, provavelmente sofrerá grandes revisões.
A Câmara de Comércio UE-China manifesta preocupação e oposição
Diante de tamanha controvérsia, a Câmara de Comércio UE-China emitiu uma declaração no dia 4, expressando preocupação e oposição às disposições e ao impacto potencial da proposta.
“Lamentamos ver que a proposta, ao introduzir requisitos amplos de localização de produção na UE, cláusulas obrigatórias de transferência de tecnologia e uma rigorosa revisão de investimentos estrangeiros, está a remodelar as regras de acesso ao mercado europeu. Embora entendamos a intenção de reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento, o desenho atual da legislação pode criar um sistema mais protecionista e excludente, enviando sinais de incerteza a investidores globais, incluindo empresas chinesas.” A Câmara destacou que as vantagens da China nos setores de energia limpa, veículos elétricos e baterias resultam de inovação e competição de mercado, não de práticas desleais. Afirmaram ainda que as restrições propostas podem atrasar a descarbonização da UE, fazendo com que a Europa perca parceiros valiosos e vantagens de custo, além de criar um cenário de “perda para todos” com incertezas de mercado para as empresas chinesas.
Por fim, a Câmara pediu que a UE, ao avançar com a legislação, mantenha princípios de equidade, justiça e não discriminação, garantindo um ambiente de negócios aberto, transparente e previsível para todos os investidores, incluindo estrangeiros.
Fonte: Global Times
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