Acabei de mergulhar nos dados mais recentes da Dune sobre stablecoins e tem muita coisa interessante acontecendo que a maioria das pessoas tá ignorando. Todo mundo fica citando aquele número de 300 bilhões em circulação, mas isso é só a superfície.



O mercado de stablecoins realmente explodiu. Em janeiro, a oferta total atingiu 304 bilhões, crescimento de 49% em relação ao ano anterior. Ethereum continua dominando com 176 bilhões (58% do total), Tron com 84 bilhões (28%), Solana com 15 bilhões e BNB Chain com 13 bilhões. USDT e USDC ainda controlam 89% do mercado, mas o que me chamou atenção é o movimento dos desafiadores.

USDS cresceu 376% até 11,5 bilhões. PYUSD subiu 753% para 3,4 bilhões. RLUSD pulou de 58 milhões para 1,1 bilhão. USD1 saiu do zero para 2,1 bilhões. Isso é um movimento real de diversificação, não é mais só USDT e USDC dominando tudo.

Mas aqui está o ponto crítico: saber quem detém esses ativos muda completamente a análise. As exchanges centralizadas têm 80 bilhões em stablecoins, acima dos 58 bilhões de um ano atrás. Grandes detentores têm 39 bilhões. Protocolos de rendimento quase dobraram para 9,3 bilhões. O que é bem significativo é que 23% da oferta está em endereços completamente desconhecidos — para dados on-chain, essa é uma taxa de identificação extremamente alta.

O volume de transferências em janeiro foi absurdo: 10,3 trilhões de dólares. Base liderou com 5,9 trilhões apesar de ter apenas 4,4 bilhões em oferta. Ethereum com 2,4 trilhões, Tron com 682 bilhões, Solana com 544 bilhões. Mas o mais interessante é que USDC transferiu 8,3 trilhões — quase cinco vezes mais que USDT — mesmo tendo oferta 2,7 vezes menor. USDC circula mais rápido, muito mais.

Quando você olha para a velocidade de circulação, a história muda completamente dependendo da cadeia. USDC na Base tem uma taxa de rotação de até 14 vezes por dia. Em Solana e Polygon, fica em torno de 1 vez. USDT na BNB Chain atinge 1,4 vezes, mas na Ethereum é apenas 0,2 vezes — mais de 100 bilhões praticamente dormindo lá. USDe e USDS têm velocidade mais lenta porque foram projetados como stablecoins geradores de rendimento.

O que realmente me impressionou foi a granularidade dos dados de atividade. Das transferências totais, 5,9 trilhões foram para infraestrutura DEX (fornecimento e retirada de liquidez). 376 bilhões em swaps diretos. Empréstimos relâmpago movimentaram 1,3 trilhão. Operações do emissor — cunhagem, queima, reequilíbrio — somaram 1,06 trilhão, quase cinco vezes o recorde de 420 bilhões de um ano atrás. Isso mostra que as stablecoins estão realmente sendo usadas como infraestrutura fundamental, não é especulação.

Agora, sobre concentração: USDT, USDC e DAI têm distribuição bem ampla, com os 10 maiores detentores controlando apenas 23-26% da oferta. Mas outras moedas estáveis contam uma história completamente diferente. USDS tem 90% concentrado em 10 carteiras. USDF tem 99% em 10 carteiras. USD0 é extremo com 99% e HHI de 0,84 — praticamente monopolizado por um ou dois endereços.

O que achei particularmente relevante é que o dataset agora rastreia mais de 200 stablecoins representando 20+ moedas fiduciárias. Euro com 17 tokens e 990 milhões em oferta. Real brasileiro com 141 milhões. Iene japonês com 13 milhões. E tem tokens em NGN (naira nigeriano), KES (xelim queniano), ZAR (rand sul-africano), TRY (lira turca), IDR (rupia indonésia) e SGD. A infraestrutura para stablecoins em moedas locais está sendo construída. Pensa só: 420 dólares em naira representam uma quantia bem diferente, e ter stablecoins em moedas locais muda completamente o acesso a liquidez para mercados emergentes.

O volume total de stablecoins não em dólares é apenas 1,2 bilhão por enquanto, mas existem 59 tokens disponíveis em seis continentes. Isso é só o começo.

O que torna esse dataset único é que cada transferência é classificada em nove categorias de atividade diferentes. Cada saldo é segmentado por tipo de detentor. Isso transforma logs ruidosos de blockchain em dados estruturados e comparáveis. A profundidade aqui permite responder perguntas que nem sabemos fazer ainda: qual é o fluxo de fundos entre cadeias para stablecoins em euros? Como a concentração muda nos dias antes de um evento de desancoragem? Qual é a correlação entre cunhagem/queima do emissor e pressão de mercado?

Este é exatamente o tipo de dataset que suporta análise institucional real, relatórios de pesquisa, frameworks de modelagem de risco e monitoramento de conformidade. Não é só um número bonito — é a infraestrutura que as instituições financeiras e reguladores precisam para entender esse mercado de 300 bilhões de verdade.
ETH-1,88%
TRX-0,67%
SOL-2,14%
BNB-0,78%
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
Adicionar um comentário
Adicionar um comentário
Nenhum comentário
  • Fixar