Encontrei um fascinante enigma financeiro que mostra o quão pouco transparente pode ser a construção de riqueza em níveis elevados. Jeffrey Epstein acumulou cerca de 578 milhões de dólares até sua morte em 2019 – mas como exatamente? Essa é a questão que surge ao revisar processos judiciais e documentos financeiros.



A fortuna de Epstein vinha principalmente de duas fontes: dois empresários extremamente ricos que utilizavam seus serviços. Primeiro havia Les Wexner, o magnata do varejo por trás da L Brands e Victoria's Secret. No início dos anos 1990, Wexner contratou Epstein e confiou-lhe não apenas poderes, mas também transferiu-lhe uma mansão de 56 milhões de dólares em Manhattan. Ao longo de duas décadas, aproximadamente mais de 200 milhões de dólares foram transferidos de Wexner para Epstein – até que, em 2007, a parceria quebrou, após Wexner alegar pelo menos 46 milhões de dólares em desvios.

Após essa ruptura, Epstein encontrou sua próxima grande fonte de dinheiro: Leon Black, cofundador da Apollo Global Management. De 2012 a 2017, Black pagou-lhe 170 milhões de dólares por supostos serviços de planejamento fiscal e patrimonial – sem contratos formais. Black aparentemente acreditava que as orientações de Epstein geravam bilhões em valor. Ele também emprestou 30 milhões de dólares a uma empresa ligada a Epstein.

O aspecto interessante da fortuna de Epstein era sua estrutura geográfica. Ele fundou empresas como a Financial Trust Company nas Ilhas Virgens Americanas e aproveitou incentivos fiscais locais que reduziam seus impostos em 90%. Entre 1999 e 2018, isso teria economizado mais de 300 milhões de dólares. Em 2022, sua herança precisou devolver 80 milhões de dólares ao governo da ilha, que alegou que esses benefícios foram obtidos de forma fraudulenta.

O que fascina e assusta ao mesmo tempo é que uma grande parte da lista de clientes permanece oculta até hoje. Sabe-se que, em 2004, Epstein lucrou sozinho 127 milhões de dólares – incluindo 15 milhões pela conexão do JPMorgan com a Highbridge Capital. Entre os clientes nomeados estavam Elizabeth Johnson, herdeira da Johnson & Johnson, e várias pessoas não identificadas do meio público.

Em julho de 2025, o senador Ron Wyden fez uma revelação notável: o Comitê de Finanças do Senado revisou documentos do Ministério das Finanças que registravam mais de 4.700 transações relacionadas a Epstein, no valor total de 1,9 bilhões de dólares – distribuídas por vários bancos. Wyden criticou duramente o Departamento de Justiça por ignorar essas provas financeiras cruciais.

Hoje, mais de seis anos após sua morte, o patrimônio de Epstein ainda possui 131 milhões de dólares em ativos. No ano passado, a herança recebeu uma restituição de impostos de 112 milhões de dólares do IRS. Assim, a fortuna de Epstein permanece parcialmente intocada, enquanto mais de 160 milhões de dólares foram distribuídos às vítimas. A extensão total dessa riqueza e a rede de elite que a construiu e possivelmente a protegeu – permanecem um dos maiores mistérios não resolvidos do mundo financeiro moderno.
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