Tenho uma dúvida que surge o tempo todo quando estou conversando com investidores mais novos: por que tantas pessoas se importam com o valor da empresa em vez de simplesmente olhar a capitalização de mercado? Deixe-me explicar isso porque na verdade importa muito mais do que você pensa.



Aqui está a maneira mais fácil de entender. Digamos que você compre um carro usado por 10 mil, mas ao abrir o porta-malas você encontra 2 mil em dinheiro. Quanto você realmente pagou? 8 mil, certo? É basicamente isso que o valor da empresa faz. É o preço real que você está pagando por um negócio quando leva em conta o que já está no banco.

Então, o valor da empresa é calculado de forma bem simples: Capitalização de mercado mais Dívida Total menos Dinheiro. É isso. A razão de subtrair o dinheiro é porque quem compra a empresa pode usar esse dinheiro líquido para ajudar a pagar a aquisição. A dívida é adicionada porque é uma obrigação que precisa ser paga como parte do negócio.

Por que isso importa? Porque a capitalização de mercado sozinha pode ser enganosa. Uma empresa pode parecer barata com base na sua capitalização de mercado, mas se ela estiver carregando uma dívida enorme, o custo real de adquiri-la é muito maior. Por outro lado, uma empresa que tem uma pilha de dinheiro pode parecer cara até você perceber quanto dinheiro ela realmente tem no balanço.

É aí que o valor da empresa se torna realmente útil para analisar avaliações. Em vez de usar apenas índices como preço sobre vendas ou preço sobre lucro, você pode usar múltiplos baseados no EV, como EV/Vendas ou EV/EBITDA. Esses índices dão uma imagem muito mais clara do que você realmente está pagando pela capacidade de lucro do negócio.

EV/EBITDA é provavelmente o mais popular. EBITDA é lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — basicamente, mostra quanto dinheiro uma empresa está realmente gerando com as operações. Se uma empresa tem um valor de empresa de 14 bilhões e gera 750 milhões em EBITDA, você está olhando para um múltiplo de EV/EBITDA de cerca de 18,6x. Se isso é caro ou barato depende totalmente do setor. Para uma empresa de software? Pode ser uma pechincha. Para um negócio de varejo? Pode estar supervalorizada.

Agora, aqui está o detalhe — o valor da empresa não é perfeito. Se você estiver analisando um setor intensivo em capital, como manufatura ou petróleo e gás, o EV pode parecer artificialmente alto por causa de toda a dívida necessária para financiar as operações. Isso pode fazer você perder oportunidades ou ser enganado achando que algo é mais caro do que realmente é.

A grande lição: sempre compare os múltiplos do valor da empresa com os de seus pares no setor. Não olhe só para uma empresa isoladamente. E, definitivamente, não ignore os fundamentos de como essa dívida está sendo gerenciada e utilizada.

Se você leva a sério a busca por ações subvalorizadas, entender o valor da empresa é indispensável. Ele te dá uma visão muito mais profunda da saúde financeira real de uma companhia do que métricas superficiais de capitalização de mercado jamais poderiam. Só lembre-se de sempre contextualizá-lo dentro do setor que você está analisando.
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