Percebi algo interessante no mercado de ouro nesta fase. Os metais preciosos atingiram US$ 5595 por onça em janeiro passado — um número que pareceria surreal há apenas dois anos. A alta foi realmente louca, um aumento de 68% em 2025, sendo o ano mais forte para o ouro desde os anos 70.



O mais interessante é que os grandes bancos centrais não param de comprar. China, Polônia e Índia estão reduzindo suas reservas em dólares americanos e substituindo-as por ouro de forma sistemática. Somente em 2025, as compras dos bancos centrais ultrapassaram 1000 toneladas, pelo terceiro ano consecutivo. JPMorgan prevê que a demanda chegue a 755 toneladas neste ano. Isso não é aleatório — a maioria dos bancos centrais pesquisados planeja aumentar suas reservas de ouro.

Uma das principais razões é o que os analistas chamam de "fim do dólar". Os países começaram a ver o dólar como um ativo com riscos políticos, especialmente após seu uso como arma de sanções. O ouro, por outro lado, não carrega esses riscos. Essa é uma tendência de longo prazo que se estende por anos, não um movimento passageiro.

O Federal Reserve deve reduzir as taxas de juros duas vezes neste ano. Isso é importante porque o ouro não paga juros, e a queda nas taxas o torna mais atraente em comparação com os títulos. Quando os retornos reais se tornam negativos (a inflação fica maior que as taxas), o ouro historicamente se destaca.

As tensões geopolíticas também continuam presentes. Guerras comerciais, conflitos, instabilidade — tudo isso impulsiona a demanda por ativos de refúgio seguro. O ouro atingiu seu nível mais alto em janeiro, impulsionado por esses fatores combinados.

Agora, sobre as projeções. Os grandes bancos divergem um pouco, mas a tendência é fortemente de alta. JPMorgan prevê US$ 6300 até o final de 2026. Wells Fargo elevou sua meta para US$ 6100-6300. Goldman Sachs é um pouco mais conservador, com US$ 4900-5400. Bank of America mira US$ 6000. A maioria concorda que US$ 5000 será um nível de suporte forte.

No cenário de alta (US$ 6000-6300), o que deve continuar é a compra dos bancos centrais, as taxas de juros caindo e as tensões geopolíticas permanecendo. O cenário base projeta o ouro em torno de US$ 5055 até o fim do ano. Já o cenário de baixa exige múltiplos fatores negativos ao mesmo tempo — uma resolução rápida de crises geopolíticas, aperto pelo Federal Reserve, fortalecimento do dólar. A maioria dos analistas considera isso improvável.

Quanto às previsões de preço do ouro para 2030, os números variam mais, pois as variáveis aumentam. Alguns esperam que o ouro chegue a mais de US$ 10.000 se a tendência de fim do dólar continuar na mesma velocidade. CME é mais conservador, com US$ 5500-5600. O consenso geral fica entre US$ 7000 e US$ 10000 até o final da década.

Tecnicamente, o ouro agora está em consolidação após o movimento explosivo. Níveis importantes: US$ 4200 como suporte inicial, US$ 4000 como suporte psicológico forte, US$ 5000 como resistência psicológica significativa, e US$ 5595 como máxima anterior. A média móvel de 200 dias aponta para cima — sinal estrutural forte.

Obviamente, há riscos. Uma forte valorização do dólar pode pressionar os preços. Uma resolução rápida de crises geopolíticas elimina a margem de medo. Uma queda acentuada nos fluxos de fundos de ETFs de ouro, caso o capital migre para ações. Ou uma redução na compra dos bancos centrais se o ouro ficar muito caro. Mas a maioria dos analistas vê esses cenários como menos prováveis do que a continuidade da tendência de alta.

Resumindo: a estrutura do ouro está muito forte agora. Três anos consecutivos de compras maciças pelos bancos centrais, fim do dólar em andamento, juros baixos e incerteza geopolítica — tudo isso sustenta preços mais altos. A oferta das minas cresce apenas 1-2% ao ano, não acompanhando a demanda. Qualquer queda para cerca de US$ 4200-4300 parece uma oportunidade de compra, e a resistência menor permanece otimista, rumo a US$ 5000 e além.
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