A lógica é muito simples: preço do petróleo sobe → inflação mais forte → Banco Central não se atreve a cortar taxas (até aumenta) → custo de oportunidade de manter ouro dispara → ouro é abandonado.



Vês, a guerra não só não fez do ouro um porto seguro, como também, ao elevar o preço do petróleo, fez do ouro a primeira vítima sacrificada.

Então, e o nosso Bitcoin?

O Bitcoin caiu ontem abaixo de 70.000 dólares, já tendo perdido 45% desde o pico histórico de outubro do ano passado.

Mais irónico ainda, na semana passada, Bernstein ainda gritava “o fundo já apareceu”.

E o fundo? Onde está o fundo?

Precisas de lembrar uma dura verdade: perante a marcha de ferro da narrativa das taxas de juro, tudo — halving, narrativa, “ouro digital” — são tudo papel maché.

Quando Wall Street descobriu que possuir títulos do Tesouro dos EUA garante um retorno sem risco de 5%, por que razão iria aceitar um mercado tão volátil para te fazer de “pato”? O que tu chamas de “refúgio”, na visão deles, é apenas uma especulação de alto risco.

Mas! Quando pensas que tudo acabou, aquele homem do after-hours volta a agir.

Trump publicou no Truth Social que o prazo para a ação contra o Irão foi adiado para 6 de abril.

Assim que a notícia saiu, os futuros dispararam, e o Bitcoin também reagiu de uma baixa para uma recuperação.

Este cenário, não te parece familiar?

Desde o início da guerra, já é a N-ésima vez que Trump faz um “salva-vidas” após o fecho do mercado. Sempre que o mercado ameaça colapsar, ele aparece com um tweet, dá uma “doce” ao mercado, e prolonga a vida por mais um segundo.

Este é o ponto mais importante que quero transmitir hoje:

O “adiamento” de Trump está a matar a “confiança” do mercado.

Na primeira vez, o mercado festejou, achando que tudo ia mudar.

Na segunda, ficou cauteloso, pensando que ainda há esperança.

Na N-ésima vez, o mercado já está insensível.

O mercado atual é como uma rapariga que foi repetidamente enganada por um canalha. Na primeira, chora; na segunda, faz escândalo; na terceira e quarta, já não consegue chorar, só fica com o coração partido.

Cada “adiamento” está a esgotar as expectativas do mercado de uma “verdadeira trégua”.

6 de abril será a próxima data limite.

Se até lá o Irão não der uma resposta concreta, Trump enfrentará um impasse:

Ou adia novamente, a confiança colapsa completamente, o mercado vota com os pés e entra em colapso.

Ou realmente age, a inflação sai do controlo, as taxas sobem ao infinito, e todos acabam por pagar o preço.

O custo mais caro desta guerra nunca foi o preço do petróleo de 100 dólares, mas sim a perda total de confiança do mercado na “próxima viragem de página”.

Por fim, umas palavras duras para os irmãos que ainda lutam na criptoesfera:

1. Não considers o Bitcoin um “ativo de refúgio”. Diante de uma verdadeira contração macro, o Bitcoin é um ativo de risco de alta Beta. Cai com força, mais do que qualquer um.

2. Não acredites na mentira de que o “fundo já apareceu”. Nessa combinação de guerra + inflação + aperto monetário, qualquer pessoa a fazer previsões é ou burra, ou má, ou quer que tu assumas o risco.

3. O mercado atual só tem uma fé: a “liquidez”. Quando o Federal Reserve abrir a mão, quando Trump realmente parar a guerra, aí sim, haverá um verdadeiro fundo. Até lá, todas as recuperações são apenas oportunidades de fugir, não sinais de avanço.

Trump deu ao Irão uma janela de oportunidade, e também a ti.

Mas lembra-te: a paciência do mercado já é mais fraca do que a tua posição.

6 de abril é para testar se o burro é mesmo um cavalo. Antes disso, mantém a calma, sobrevive.

Não sejas aquele tolo que, na véspera do amanhecer, foi enganado pela última “prorrogação”.
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