A 5 de dezembro de 2025, o Comité de Comércio Externo do Brasil tomou uma decisão: manter inalterada a taxa antidumping sobre altifalantes automóveis chineses, 78,3%, durante cinco anos.



O que significa este número? Um altifalante com preço de fábrica de 100 yuan, ao chegar à alfândega brasileira, leva logo mais de 78 yuan de imposto. E ainda nem se consideraram a tarifa base, logística e custos de canal. No fim, quando chega ao consumidor, o preço pode facilmente duplicar ou até mais. Vantagem de custo-benefício? É logo engolida pelo imposto.

Não é a primeira vez que o Brasil faz isto. Pneus, cerâmica, aço inoxidável, produtos químicos... A lista de produtos chineses alvo de investigação antidumping é interminável. Proteger a indústria nacional até se entende, mas impor taxas altíssimas durante cinco anos de cada vez, essa lógica é curiosa.

Os dados são ainda mais interessantes. A China tem sido, há vários anos consecutivos, o maior parceiro comercial do Brasil. Soja, minério de ferro, carne de vaca vão para a China; em 2024, o volume de comércio bilateral ultrapassou os 150 mil milhões de dólares, e o Brasil mantém um superavit comercial há muito tempo. Relação tão próxima, mas em certos produtos industriais há barreiras rígidas — parece o quê? Parece: só eu posso ganhar dinheiro contigo, tu não podes ganhar comigo.

Alguns dizem que isto serve para proteger a indústria local. A intenção até pode ser boa, mas o resultado? Os altos impostos protegem muitas vezes capacidades de produção ultrapassadas. Os consumidores são obrigados a comprar produtos mais caros ou piores, e as empresas nacionais perdem o incentivo para evoluir e competir. Flores cultivadas em estufa, protegidas do vento e da chuva, mas também sem ver o sol. Para a indústria brasileira de componentes automóveis ser forte, tem de integrar-se na cadeia global e crescer na competição, não esconder-se atrás de muros tarifários.

Num plano mais amplo, a recuperação económica global está fraca e estão a ressurgir várias políticas de “olhar para dentro”. Isto que o Brasil faz é só um reflexo. Todos querem proteger o que têm no prato, mas construir muros pode tornar pobres todas as mesas. A História já provou muitas vezes: comércio aberto e circulação são o verdadeiro remédio para crescimento e para baixar a inflação.

Para as empresas chinesas, isto é um balde de água fria, mas também um alerta. Diversificação de mercados nunca foi só um slogan. Não se pode colocar todos os ovos no mesmo cesto, nem contar com a boa vontade da política alheia. Actualização tecnológica, valor de marca, produção e cooperação local — estes velhos chavões agora são especialmente reais e urgentes.

Cinco anos, na indústria tecnológica, dá para iterar uma ou duas gerações de produtos. A questão é: conseguirão as nossas empresas, nestes cinco anos, criar produtos que tornem qualquer barreira tarifária irrelevante? Este é um desafio duro, mas inadiável.

Este muro do Brasil mostra-nos, mais uma vez, a complexidade e realidade do comércio internacional. Não é só um acontecimento económico, é também um sinal: o caminho para “sair para fora” nunca será plano, só ficando mais fortes, mais flexíveis e mais indispensáveis é que conseguimos ultrapassar as tempestades.

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