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As stablecoins tornar-se-ão uma parte necessária do futuro do mercado cambial.
Fonte: Exame
Título Original: Não vai existir mercado de câmbio no futuro sem stablecoins, diz CEO do Braza Bank
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Com décadas de experiência no setor, Marcelo Sacomori transformou o Braza Bank em dez anos no maior banco especialista em câmbio do Brasil. Após diversas inovações no setor, o CEO afirma com convicção: o futuro do mercado cambial passará, inevitavelmente, pelas stablecoins, ou seja, criptomoedas atreladas a outros ativos.
Em entrevista, Sacomori enquadrou esses ativos numa sequência de mudanças e ondas de modernização que impactam o mercado cambial desde o início do século XXI. Globalização, intensificação dos negócios internacionais, laços cada vez mais estreitos entre países e tecnologias que permitem transferências cada vez mais rápidas e com custos reduzidos marcam a evolução do setor.
Agora, acredita que as stablecoins representam um novo salto nesse processo. O próprio Braza Bank já se lançou de cabeça neste segmento e planeia, em 2025, lançar duas criptomoedas próprias atreladas ao real brasileiro e ao dólar. Além disso, a instituição é responsável por pelo menos 50% das operações com stablecoins no Brasil, o que reflete a sua importância crescente no setor.
Stablecoins e câmbio
As stablecoins podem ser atreladas a qualquer ativo, mas as mais conhecidas, utilizadas e valiosas são as lastreadas no dólar. Isso significa que cada unidade da criptomoeda deve valer sempre 1 dólar. Na prática, essa relação permite que se utilizem as vantagens da tecnologia blockchain para transferências e pagamentos.
Segundo Sacomori, o impacto destes ativos é “assustador”, pois proporcionam “operações quase instantâneas, com uma lógica completamente diferente do sistema tradicional de compensação internacional (SWIFT)”.
Se o sistema tradicional leva pelo menos 3 a 4 dias úteis para processar operações, com custos elevados e risco de atrasos, as stablecoins oferecem “acesso ao mercado cambial 24/7, spreads mais competitivos, custos mais baixos, maior velocidade e transparência, além de solucionar questões de confiança nas operações”.
“A transparência auditável é um valor enorme, especialmente em transações comerciais, sobretudo para pequenas e médias empresas”, sublinha o executivo. Para Sacomori, “as stablecoins têm potencial para levar sistemas de pagamento decentes a países e regiões onde ainda não existem. Até mesmo em cenários de catástrofes humanitárias, quando os sistemas tradicionais podem falhar. Os casos de uso são inúmeros”.
Futuro do setor
Neste contexto, o executivo não tem dúvidas: “O mercado de câmbio não existirá sem stablecoins. Isto não é futuro, é presente. As próprias regras regulatórias do Banco Central já comprovam isso”. A referência é às novas normas do Banco Central para o setor cripto, que incluem as operações com criptomoedas no âmbito do câmbio.
Ele avalia que “toda regulação é sensata e adequada. Acho saudável incluir isso no âmbito do câmbio. Pode até criar formas de mercado privado para contornar, mas isso já é permitido no papel-moeda, onde operações entre pessoas não são tributadas. Ser regulado é saudável para evitar fraudes, roubos, esquemas; as instituições serão reguladas com capital mínimo, o que traz enorme segurança”.
O CEO do Braza Bank também antecipa um “processo natural de seleção” entre as stablecoins, apesar do actual lançamento de novos activos por grandes instituições financeiras. “O JP Morgan vai lançar, o Bank of America também.”
Ainda assim, acredita que “poucos líderes permanecerão e os outros se juntarão a eles. O segredo do sucesso estará na aplicação. No Brasil, já existe o Pix, o melhor sistema de pagamentos do mundo. Então, por que seria necessário um real tokenizado? Para consolidar o ativo, será necessário construir aplicações agregadas por tecnologia de smart contracts”.
“A usabilidade será o maior diferencial. Podemos ter um ecossistema organizado por poucas stablecoins regionais interligadas a poucas globais. Não acredito que haverá uma dominante, mas sim algumas poucas. As locais serão baseadas em compliance, com reservas auditáveis e transparentes, certificação e liquidez, proporcionando instantaneidade na conversão. Será uma corrida pela qualidade”, conclui.
É verdade isso, já usam mesmo no Brasil? Eu cá não dei por nada.
Falando nisso, este tipo andou dez anos a tornar-se o maior, agora anda a vender o conceito de stablecoins, não será este negócio demasiado fácil para ele?
Espera aí, moedas indexadas a ativos... mas isso não é exatamente o mesmo que o USDT em dólares? É só vinho velho em garrafa nova.
Na minha opinião, no futuro o mercado cambial continuará a ser dominado pelas finanças tradicionais, as stablecoins no máximo dão uma ajudinha.
Este CEO, mal abre a boca é logo "inevitável", "obrigatório"... já estou farto deste discurso de marketing.
Mas vendo bem, o USDC realmente tem dado que falar no Brasil, se calhar ele até tem alguma razão...